segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Educação na Reforma Agrária é tema de mestrado na UFPB


O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - Pronera -, na Paraíba, foi o tema da dissertação de um mestrado em educação, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), defendida pela servidora do INCRA/PB, Dalva Maiza Medeiros Costa. O objetivo central foi analisar o Pronera no estado, com foco nos seus avanços e limites. Segundo a dissertação, um diferencial do Pronera é o fato dos seus cursos serem vinculados às práticas e às reflexões teóricas da educação do campo. A dissertação também mostra que apesar dos limites a ser superado, sobretudo em relação a sua forma de financiamento, o programa tem indiscutível relevância na construção da educação do campo na Paraíba. Segundo as conclusões de Maiza, o Pronera se constitui num importante mecanismo de acesso dos povos do campo à educação, impulsionando aprendizagens e colaborando com o desenvolvimento local e regional, a partir dos assentamentos. "O estudo deixa como sugestões, a necessidade de capacitação permanente dos parceiros, de definição de critérios e perfil dos participantes, de modo a garantir a identificação com o Programa e de avaliação sistemática de suas ações", destaca a mestre. Para o superintendente regional do Incra, Cleofas Caju, o trabalho realizado pela servidora, aprovado com louvor pela banca examinadora, vai servir como mais um instrumento de avaliação e sugestão para o aprimoramento das ações do Pronera no estado. "Ficamos muito felizes em saber que temos no quadro do Incra pessoas, de alto nível educacional, a exemplo  Maiza, preocupada com a melhoria dos nossos serviços", afirmou Caju.(Dissertação) A dissertação do mestrado, avaliada pelos professores da banca examinadora composta pelo Doutor Severino Bezerra da Silva (orientador), Doutora Socorro Xavier e Doutor Jonas Duarte, buscou reconstituir a trajetória do Programa, de 1998 quando o Pronera foi instituído, a 2008 quando completou sua primeira década. Por meio do Pronera, nesse período, foram iniciados 21 projetos, sendo que 18 deles concluíram suas atividades dentro do período estudado. Dos 18 cursos realizados, seis foram selecionados para o estudo em questão, foram eles: Curso de Escolarização em parceria com UFPB e CPT; Curso de Escolarização em parceria com UEPB e MST; Curso Técnico em Enfermagem em parceria com UFPB e CPT; Curso Técnico em Agropecuária em parceria com EAFS e CPT; Curso de Magistério em parceria com UFPB e CPT; e o Curso de Licenciatura em História em parceria com UFPB e MST. (Pronera na Paraíba) Até este ano, o Pronera executou 21 projetos de educação na Paraíba, beneficiando cerca de sete mil  estudantes no campo, com um investimento em torno de R$ 11,7 milhões. (O Pronera Nacional) Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), tem a missão de ampliar os níveis de escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados. Atua como instrumento de democratização do conhecimento no campo, ao propor e apoiar projetos de educação que utilizam metodologias voltadas para o desenvolvimento das áreas de reforma agrária Os jovens e adultos de assentamentos participam de cursos de educação básica (alfabetização, ensino fundamental e médio), técnicos profissionalizantes de nível médio e diferentes cursos superiores e de especialização. O PRONERA capacita educadores, para atuar nas escolas dos assentamentos, e coordenadores locais, que agem como multiplicadores e organizadores de atividades educativas comunitárias.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Presidenta Dilma inaugura a marca histórica de entrega de casas populares que iniciaram com Lula





Biffi: O sonho da casa própria está se tornando realidade no Brasil. (Arte Uiara Lopes / PT) 

O programa Minha Casa, Minha Vida tem como objetivo reduzir o déficit habitacional brasileiro, com oportunidade de moradia para as pessoas com maior necessidade e que possui baixa renda para adquirir sua residência. Para o deputado Carlos Biffi (PT/MS), o sonho da casa própria está se tornando realidade no Brasil do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma. “Só nesses dois primeiros anos comemoramos o lançamento de um milhão de novas moradias. Por tanto, ao celebrar esta conquista a presidenta Dilma quer, até o final de seu mandato em 2014, entregar mais um milhão e meio de novas casas” afirmou. Para o parlamentar, o povo brasileiro tem muito o que comemorar. “Há séculos nós temos brigado para que efetivamente cada família tenha seu canto, sua casa, sua residência. Por isso, o governo do PT com Lula, com Dilma tem muito a comemorar pelos avanços da moradia própria de quem mais precisa” declarou Biffi. Atualmente na segunda fase, o programa atingiu a meta inicial de um milhão de contratações.

Fonte: http://www.pt.org.br

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O programa P 1 MC Cisternas de placas, projeto água para todos, um milhão de cisternas no semi árido do Governo Dilma está a todo vapor no município de Aroeiras-PB

                                                                                                                                                                                               
      
Nesta Sexta Feira foi entregue mais 360 sacos de Cimento na comunidade do Sitio Bernardo totalizando até o momento 720 sacos além de calhas, bicas, Areia, brita e vergalhão ETC, a onde os Pedreiros já estão nas construções de várias cisternas como se pode ver em foto, em Janeiro retomaremos as reuniões da Comissão municipal que é formada por Dona Solange do Bernardo, Geraldo Lima do sitio Nogueira, Osvaldo do MAB Pedro Velho e João do Violão presidente da Associação da Ladeira do Chico e articulador dos programas do Governo Federal em Aroeiras-PB; Em Janeiro também terá continuidade dos cursos de GRH (gerenciamento de recursos hídricos) nos dias 10/11 com as comunidades de Serra do Juá; Estreito, Pé de Serra de boa vista, nas comunidades Uruçu, Chã dos Moises, Chã Grande e Tamanduá; Nos dias 17 e 18 Barra do João Leite ,Pereira, Dois Caminhos e Cachoeira Grande; 17/ 18 Nogueira, Lameiro, Batista, Mirador, Pé de Serra do Juá e Amarelinha;  Dias 24 e 25 Maçaranduba, Manuela, Chã dos Costas, Encruzilhada, Ladeira do Chico e Olho d,água;  24 e 25 Chão de Torres, Torres, Várzea dos Bredos; 30/ 31 Quatro Cantos, Guaribas, Várzeas do Arroz,  Chã de Lagoa e Caibeira; 30/ 31 Trapiá de Baixo, Trapiá de Cima, Magabinha, Cacimba Cercado e Umburanas;E nos dias 5 e 6 de Fevereiro de 2013, nas, comunidades de Pedro velho Ria chão e Adjacências; Por ultimo: com data a ser marcada para  as comunidades de Piabas, Juca Zinho, Carapebas, Pilões e Chã Grande.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Obra: construção de uma praça com academia de saúde no conjunto do Campo em Aroeiras-PB


        
                  Essa praça existe? Como se chama: praça dos fantasmas?
Na ultima Sexta Feira dia 21/ de Dezembro de 2012, fui procurado para tirar umas fotos de uma determinada praça que só existe no papel, uma praça sem nome, que consta em uma placa que diz que desde o dia 26/ de Outubro de 2012, teve início a construção, mas pelas informações dos próprios moradores locais, essa obra ainda nem começou, e como está inscrito na própria placa que diz que  gerou 25 Empregos, isso não é verdade, o certo mesmo é que a construção ainda nem começou, como pode então ter gerado esses empregos?  O valor dos recursos Federais da Obra é de: 180.000.00 (Cento e oitenta mil R$) o prazo para conclusão da praça é para 26 de Abril de 2013; Bom: como fui informado pelo líder comunitário Sr. Geraldo Lima que o local, que se diz que vai ser a tal praça, há poucos dias atrás se encontrava- cobertos de matos e lixos, e que só a 2 dias antes da reportagem  do Aroeiras Verdade passar para fazer uma visita a famosa praça, é que uma maquina da prefeitura deu uma limpada no local; Nota: todo cidadão que paga impostos tem todo o direito de fiscalizar o Dinheiro publico que é repassado pelo Governo Federal aos municípios através do FPM; Como essa praça vai ser concluída, se o atual prefeito não se reelegeu? Se você que acessa o blog aroeiras vedarde, quiser tirar uma prova do que estou dizendo, vá até o posto de saúde do conjunto do campo, e veja com os seus próprios olhos o que está relatado aqui nesta reportagem, que é independente e não encobrem os erros de uma administração que não deu certo, a prova está ai,  a não reeleição do atual prefeito.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca Secretário


Marenilson Batista da Silva Secretário de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e 
da Pesca.

É Natural de Esperança (PB), casado, dois filhos, técnico em Agropecuária, Engenheiro Agrônomo formado pela UFPB e Especialista em Agra ecologia pelo convênio entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, REDCAPA e a University of Califórnia/Estados Unidos. Possui mestrado em Produção Vegetal, com área de concentração em sistema de produção da agricultura familiar, também pela UFPB. Pesquisador da Embrapa; foi Delegado Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, de maio de 2005 a maio 2010; foi Coordenador e Secretário Executivo Comitê Articulação Estadual do Programa Territórios da Cidadania, além de Coordenar diversas políticas públicas da Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Garantia Safra, Assistência Técnica e Extensão Rural, Biodiesel, Programa de Aquisição de Alimentos, Crédito Rural/Pronaf, Programa Nacional de Crédito Fundiário e outras). Na área política, foi Vereador pelo PT em Remígio; Presidente da Associação dos empregados da Embrapa Algodão/Campina Grande e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) da Embrapa Algodão/Campina Grande.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Terça-feira, 25 de dezembro de 2012 Textos: Lc 2.1-14 Não tenham medo!

 “Mas o anjo disse: – Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês!” (Lc 2.10).


O texto do evangelho de Lucas, capítulo 2, versículo 10, diz assim: “Mas o anjo disse: – Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês!” Não é à toa que o anjo precisou tranqüilizar aqueles pastores, ao anunciar-lhes o nascimento de Jesus. O silêncio daquela noite foi quebrado pela aparição do anjo! Qualquer um ficaria assustado diante duma situação dessas. Nas vezes em que Deus se manifestou a certas pessoas nos tempos bíblicos, foi necessário tranqüilizá-las. O encontro da majestade santa de Deus com o homem pecador gera susto e medo. A consciência nos acusa e tememos punição. Isso acontece também quando nos defrontamos com certos textos da Bíblia. E é bom que seja assim. Pois a nós, pecadores assustados, Deus tem uma boa notícia: Não tenham medo! Eu mandei um Salvador para pagar por seus pecados. O nome dele é Jesus! Essa é a mensagem que ecoa desde aquele primeiro Natal! Essa notícia é motivo de grande alegria para todo o povo! Em Jesus temos paz com Deus! Ele veio para nos reconciliar com o Pai! O pecado, que nos causa susto e medo, foi removido na cruz. E com sua ressurreição, Jesus provou ser mais forte que a própria morte, garantindo vida para todo o que nele crê. Natal é o início da jornada do Filho de Deus pela Terra. Depois de cumprida sua missão, Jesus voltou para junto do Pai para nos preparar lugar na sua casa. Para um mundo que não teve lugar para alojar o recém-nascido Filho de Deus, Jesus oferece a sua própria casa no céu como um lugar de moradia permanente para seus amigos. (Oremos: Agradecemos-te, Jesus querido, porque vieste tirar o medo que nos aflige, e nos garantes paz com Deus. Glória a Deus nas maiores alturas do céu, e paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem! Amém.)

Fonte: http://www.horaluterana.org.br

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sentado à direita do Pai

 segunda-feira, 24 de dezembro de 2012 Textos: “O Senhor Deus disse ao meu senhor, o rei: ‘Sente-se do meu lado direito’” (Sl 110.1).

A extrema humildade que cerca o nascimento de Jesus Cristo contrasta com a sua posição eterna e gloriosa de Rei! O próprio Deus, Senhor glorioso do universo, convida o seu Filho a sentar-se ao lado direito do seu trono – um lugar de muita honra! O texto do Salmo 110, versículo 1º, registra: “O Senhor Deus disse ao meu senhor, o rei: ‘Sente-se do meu lado direito’”. A estrebaria e a manjedoura não tiram a honra do Rei recém-nascido. Muito pelo contrário, lhe conferem mais honra ainda pelo gesto amoroso e abnegado de abandonar a glória divina para se fazer um de nós. Deus se fez homem, para levar o ser humano de volta a Deus! Os anjos reconhecem esse gesto de amor e cantam glórias nas campinas de Belém, proclamando o nascimento do Filho de Deus! “Jesus Cristo nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”. Ele cumpriu todo o necessário para a nossa salvação. A divina criança não ficou na manjedoura. Confessamos no Credo Apostólico que O apóstolo Paulo proclama: Deus “ressuscitou Cristo e fez com que ele se sentasse ao seu lado direito no mundo celestial. Cristo reina sobre todos os governos celestiais, autoridades, forças e poderes. Ele tem um título que está acima de todos os títulos das autoridades que existem neste mundo e no mundo que há de vir” (Ef 1.20-22). Oremos: Obrigado, Senhor Jesus, porque vieste ser o nosso irmão naquele primeiro Natal. Após tua vitoriosa ressurreição, estás assentado à direita do Pai e intercedes por nós. Obrigado, Senhor. Amém.

Fonte: www.horaluterana.org.br

Luiz Couto ocupa tribuna da Câmara e defende o ex-presidente Lula



O deputado Luiz Couto (PT-PB) ocupou a tribuna da Câmara Federal, na quarta-feira (12), para expressar a preocupação com o que chamou de nível de orquestração feita por parte da mídia e de outros setores contra o governo federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. “Tenho verificado que há um discurso cada vez mais golpista, no sentido de atingir o governo federal, o partido e, particularmente, o ex-presidente Lula”, disse, ressaltando que é preciso dar uma resposta, “pois existe até setor do Judiciário que tem feito discurso político eleitoreiro maior do que alguns parlamentares”. Para Luiz Couto, como a oposição não têm propostas, programas, tenta o caminho da destruição. Essa, segundo ele, é a tática daqueles que não têm idéias próprias e agora partem para o ataque na tentativa de desqualificar e enlamear a vida de pessoas honestas. “Nesse sentido, quero manifestar a minha solidariedade ao ex-presidente e àqueles que estão sendo injustamente colocados como envolvidos, com a certeza de que a verdade virá à tona”. Couto salientou que quem cometeu irregularidade que seja investigado e punido na forma da lei. “O que não podemos é usar do expediente ilícito para tentar, num sistema de orquestração, sujar e difamar a vida de um homem que governou esse país e mostrou como se trabalha, trazendo o progresso, o desenvolvimento e o crescimento econômico, mas também distribuindo renda”, completou. (Ascom Dep. Luiz Couto)
 
Fonte: www.luizcouto.com

sábado, 22 de dezembro de 2012

Emir Sade diz como vê o campo da esquerda hoje

Como o senhor define o campo da esquerda hoje?  Emir Sade: O capitalismo assumiu a roupa neoliberal. Veio de um modelo keynesiano, de bem-estar social, para um modelo liberal de mercado. Essa é a linha divisória. Ser de esquerda hoje, moderadamente ou radicalmente, é ser antineoliberal. A luta essencial é entre mercado e direitos. A gente quer tirar do mercado e colocar na esfera do direito e eles querem mercantilizar. A linha demarcatória é neoliberalismo e antineoliberalismo. Há movimentos que são gritos desesperados que não encontram espaço na esfera política. Agora, diferente é o movimento dos estudantes no Chile, que tem organicidade com os sindicatos, fazem greve geral e levaram à quebra de legitimidade do governo Piñera. (Seria possível estratégias combinadas entre movimentos, partidos e governos?) A América Latina teve governos neoliberais na sua versão mais radical. Na década de 1990 tivemos um período de resistência contra essa hegemonia que era tão forte. Os movimentos sociais foram determinantes nessa época. Depois, surgiram governos alternativos. Era a hora de passar da resistência à disputa de hegemonia. Na época, a hegemonia dominante no Fórum Social Mundial era a das ONGs, tanto assim que se teorizou e os movimentos sociais entraram nessa sobre a ‘autonomia dos movimentos sociais’. Autonomia em relação a quê? A gente falava antes de maneira ampla em autonomia em relação à burguesia e etc... Agora, autonomia em relação à política? A ONG sim nasceu como sociedade civil conquistada. Os movimentos sociais entrarem nessa foi uma loucura. O movimento piquetero acabou na Argentina. Os zapatistas buscaram emancipar Chiapas, independente da luta política no México, são contra até o PRD e as soluções moderadas, em nome da ‘autonomia dos movimentos sociais’. Isso é algo pré-gramsciano. É não disputar a hegemonia. Então, foi fundamental os movimentos bolivianos se reunirem. Derrubaram cinco governos na Bolívia, criaram um partido para disputar a presidência, dando um salto de qualidade. Quem está, mal ou bem, construindo um outro mundo possível são os governos latino-americanos. O FSM devia ser o lugar onde os governos com os movimentos sociais sejam os pontos centrais dessa alternativa.

Fonte: Brasil de Fato

Movimentos sociais precisam eleger sua bancada no Congresso

 “A luta essencial é entre mercado e direitos. A gente quer tirar do mercado e colocar na esfera dos direitos e eles querem mercantilizar. A linha demarcatória é entre neoliberalismo e antineoliberalismo”, define o sociólogo Emir Sader, quando questionado sobre o que é ser de esquerda nos dias de hoje. Sader esteve em Curitiba para o lançamento de seu livro A Arma da Crítica – Antologia do Pensamento de Esquerda (Editora Boitempo, ao lado de Ivana Jinkings). Em coletiva cedida à imprensa sindical e de esquerda, organizada pelo sindicato de professores estaduais (APP-Sindicato), o que era para ser uma conversa pontual sobre um lançamento tornou-se uma reflexão sobre a crise econômica e a disputa em torno da manutenção do modelo neoliberal, por um lado, e as tentativas populares de romper essa hegemonia; o que passa, de acordo com Sader, pela questão de os movimentos sociais retornarem à disputa na esfera política. (Brasil de Fato – Qual caracterização o senhor faz do atual momento da crise mundial?) Emir Sader – É inerente ao capitalismo a crise. Como Marx reconheceu no próprio Manifesto Comunista, o capitalismo tem uma extraordinária capacidade de transformação da realidade, mas não distribui renda para consumir o que produz. Então, periodicamente o Capital tem crises, que alguns chamam de superprodução e outros subconsumo. A produção cresce e falta consumo, então o paradoxo é que sobram mercadorias nas estantes. Ao invés de distribuir renda para consumir, a crise manda embora trabalhadores e aumenta-se mais ainda a crise. Só que o capitalismo achava que o mercado recompõe isso. Na crise, as empresas que eles consideram fragilizadas, digamos, quebram e o capitalismo retoma seu ciclo de crescimento, num patamar mais baixo, mas mais saudável. Desta vez, não está acontecendo isso. Porque na fase neoliberal do capitalismo, o que é hegemônico é a especulação e não a produção. (Como se dá este embate no campo da política? A impressão é que, na opinião pública, se polariza entre alternativas neoliberais e o resgate do keynesianismo.) O grande diagnóstico dos dirigentes capitalistas quando terminou o ciclo expansivo econômico anterior foi o de que a economia deixou de crescer porque havia muita regulamentação e ‘muito Estado’. Então, é preciso liberar a livre circulação do Capital, tirar as travas para que circule. A grande norma passa a ser a desregulamentação, o livre-comércio. Ao fazer isso, não vem um ciclo produtivo e expansivo. Porque o Capital não é feito para produzir, mas para acumular, se ele consegue isso na acumulação é para lá que ele vai. Então, em escala mundial, há uma brutal transferência de capitais do setor produtivo para o especulativo. Hoje, mais de 90% das trocas econômicas no mundo não são compra e venda de bens, são basicamente compra e venda de papéis. Ele [sistema capitalista] está numa fase particular, diferenciada. O neoliberalismo não teve um ciclo produtivo porque na verdade canalizou recursos para a especulação. A crise explode diretamente no sistema financeiro, bancário. E a hegemonia de ideias é neoliberal. Estão dando soluções neoliberais para a crise na Europa, estão jogando álcool no fogo. Tanto que a Dilma jogou isso na cara da Angela Merkel: cortando [direitos trabalhistas, previdenciários] só se leva a mais recessão e desemprego. Essa é a interpretação dominante. A outra [solução] é a da reativação keneysiana, um pouco o que a América do Sul está fazendo. Algo óbvio. Na crise se investe mais em políticas sociais, distribui a renda para aumentar a demanda. Como fizemos em 2008. O que tem uma solução, do ponto de vista imediato, anticíclica, funciona relativamente. Tanto que a América do Sul é um polo de desenvolvimento ainda. Falta-nos a demanda deles, mas em outras circunstâncias a crise seria avassaladora. Já existe uma multipolaridade econômica mundial, pela integração regional, pela relação com a China, e também pelo mercado interno de consumo. A visão crítica disso é que é uma solução defensiva em relação à crise. Se você não muda estruturas econômicas de poder, isso tem limites. Nosso continente foi vítima das transformações mundiais negativas, como a crise da dívida, ditaduras militares, governos neoliberais, e que desarticularam a estrutura industrial, abriram aceleradamente a economia, enfraqueceram o Estado. Então temos coisas paradoxais: os produtos primários agrícolas e energéticos são prioridade na exportação do comércio exterior, então exportamos soja e fazemos política social. Melhor assim, mas de qualquer maneira é uma soja ligada ao agronegócio. Então, temos limitações estruturais, porque a estrutura mundial ainda é hegemonizada pelo neoliberalismo. Só tem saída com a integração regional. (Houve o crescimento de renda nos governos Lula e Dilma, mas isso não parece interferir na consciência de classe. O senhor poderia comentar esse processo?) Essa é a maior disputa no mundo hoje. Os EUA são decadente como potência militar, política e econômica, mas a maior força deles é a força ideológica. O modo de vida estadunidense é a mercadoria mais forte que eles têm que penetra na China, penetra na periferia dos pobres, são valores determinantes, que ninguém compete com eles. No Brasil, não se está gerando uma nova forma de sociabilidade, correspondente à democratização econômica e social. Isso não está sendo acompanhado de valores. Hoje o risco não é tanto o consumismo, mas quem é que influencia os processos mesmo eleitorais? É a mídia e são as igrejas evangélicas. O movimento popular está muito fragilizado no seu processo de mobilização e também de difusão de idéias. São Paulo foi pega desprevenida neste sentido. “Vivemos três ditaduras que são os obstáculos maiores: a ditadura do dinheiro, que é o capital financeiro, ditadura da terra, que é o agronegócio, e a ditadura da palavra, que é o monopólio da mídia, o que dificulta essa criação de consciência nova”

Fonte: www.reformapolitica.org.br